Patagônia em 10 Dias: Roteiro por El Calafate e Torres del Paine

Patagônia em 10 Dias_ Roteiro por El Calafate e Torres del Paine

Introdução

Imagine acordar com o som do vento batendo suavemente nas paredes de uma cabana rústica, enquanto do lado de fora imensas montanhas nevadas refletem os primeiros raios de sol do dia. Ao longe, geleiras milenares deslizam lentamente rumo a lagos de um azul quase irreal. Bem-vindo à Patagônia, uma das regiões mais impressionantes do planeta — e, com este roteiro de 10 dias, você vai explorar dois de seus tesouros mais cobiçados: El Calafate, na Argentina, e o Parque Nacional Torres del Paine, no Chile.

Viajar pela Patagônia exige planejamento, mas o esforço é recompensado com cenas que parecem saídas de um sonho. Neste artigo, você vai encontrar um roteiro completo, com sugestões práticas de itinerário, dicas de hospedagem, como se locomover entre os países, o que não perder em cada destino e como aproveitar ao máximo essa aventura sem se perder em burocracias. Tudo pensado para viajantes que buscam experiências autênticas, paisagens deslumbrantes e contato real com a natureza selvagem.

Se você está preparando sua próxima viagem ou apenas se inspirando para o futuro, continue lendo. Este guia vai te ajudar a transformar o desejo de conhecer a Patagônia em um plano concreto, realista e inesquecível.


Por que El Calafate e Torres del Paine? A dupla perfeita da Patagônia

Por que El Calafate e Torres del Paine_ A dupla perfeita da Patagônia

Antes de mergulhar no dia a dia do roteiro, vale entender por que esses dois destinos formam uma combinação tão poderosa. El Calafate é a porta de entrada argentina para o mundo das geleiras — especialmente o Glaciar Perito Moreno, uma das atrações naturais mais impressionantes do hemisfério sul. Já o Parque Nacional Torres del Paine, do outro lado da fronteira chilena, é famoso por suas torres graníticas, trilhas desafiadoras e fauna abundante.

Juntos, eles oferecem um equilíbrio perfeito entre experiência glacial e trekking de montanha. A proximidade geográfica (menos de 300 km entre eles) e a infraestrutura turística consolidada tornam essa combinação ideal para quem tem pouco tempo, mas quer o máximo de impacto visual e emocional.

Além disso, ambos os destinos contam com opções para todos os estilos: desde viajantes que buscam conforto em hotéis com vista para lagos, até mochileiros dispostos a acampar sob o céu estrelado da Patagônia. A dica aqui? Planeje com antecedência, principalmente na alta temporada (novembro a março), quando vagas em hospedagens e passeios se esgotam rapidamente.


Dia 1–2: Chegada e imersão em El Calafate

Seu roteiro começa em El Calafate, uma charmosa cidade na província de Santa Cruz, Argentina. O aeroporto está a apenas 20 minutos do centro, e a cidade em si é pequena — perfeita para caminhar e descansar após a viagem.

No primeiro dia, dedique-se a se ambientar. Conheça a Avenida Libertador, repleta de lojinhas de artesanato, cafés com chocolate quente e restaurantes servindo cordeiro patagônico. À noite, experimente um vinho malbec argentino acompanhado de empanadas – uma maneira suave de começar a imersão cultural.

No segundo dia, a grande atração: o Glaciar Perito Moreno. Localizado no Parque Nacional Los Glaciares, fica a cerca de 80 km da cidade. Reserve um passeio de ônibus com guia em português (muitas agências oferecem) ou alugue um carro para ir por conta própria.

No parque, você terá três opções para explorar o glaciar:

  • Passarelas (gratuitas e acessíveis a todos) – oferecem vistas panorâmicas do glaciar;
  • Mini-trekking – caminhada leve sobre o gelo, com equipamento fornecido (indicado para quem busca um pouco mais de emoção);
  • Trekking completo (Big Ice) – para os mais aventureiros, com várias horas sobre o glaciar (exige bom condicionamento físico).

Dica prática: leve roupas em camadas, protetor solar e óculos de sol — o reflexo do gelo é mais intenso do que se imagina!


Dia 3–4: Rumo a El Chaltén – o paraíso dos trekking

Ainda na Argentina, mas a dois passos de El Calafate, está El Chaltén, considerada a capital nacional do trekking. Distante cerca de 3 horas de ônibus, esta vila pequena e despretensiosa é cercada por picos como o Fitz Roy e o Cerro Torre — verdadeiros ícones para amantes de montanha.

Nos dias 3 e 4, seu foco será explorar as trilhas. Duas delas se destacam:

  • Laguna de los Tres (7–9 horas ida e volta) – a vista do Fitz Roy ao amanhecer é algo que você levará consigo para sempre;
  • Laguna Torre (6–8 horas ida e volta) – menos cansativa, com vistas do Cerro Torre e do glaciar homônimo.

A vila oferece opções simples de hospedagem e alimentação. Não espere luxo — aqui, o charme está na simplicidade e na conexão com a natureza. Leve lanches, bastante água e roupas impermeáveis; o clima é imprevisível, e mudanças bruscas são comuns.

Por que incluir El Chaltén? Porque equilibra a experiência: depois da imponência glacial de El Calafate, você mergulha no universo vertical da montanha. É uma transição perfeita para o que vem a seguir: o Chile.


Dia 5: Travessia para Puerto Natales (Chile)

É hora de cruzar a fronteira! O trajeto de El Chaltén a Puerto Natales (base para Torres del Paine) leva cerca de 7 a 8 horas, incluindo os trâmites de imigração. A melhor opção é contratar um transfer com parada em El Calafate, ou pegar um ônibus com conexão.

Importante:

  • Tenha seu passaporte e, se necessário, visto em mãos;
  • Confirme com antecedência os horários de funcionamento das fronteiras terrestres;
  • Leve água e snacks — o caminho é longo e com poucas paradas.

Ao chegar em Puerto Natales, respire fundo. A cidade é tranquila, com restaurantes à beira de um canal e uma atmosfera acolhedora. É aqui que você vai se preparar para a maior experiência do roteiro: o Parque Nacional Torres del Paine.


Dia 6–8: Explorando Torres del Paine – o coração da Patagônia chilena

O parque é dividido em três regiões principais:

  1. Base das Torres (a trilha mais famosa);
  2. Lago Grey (com geleira homônima);
  3. Vale do Silêncio e Mirador Britânico (parte do circuito W).

Se tiver 3 dias completos, o ideal é fazer o Circuito W, um dos mais conhecidos do mundo do trekking. Ele pode ser feito com hospedagem em refúgios (mais conforto) ou acampamento (mais imersivo).

Aqui está uma sugestão de divisão:

  • Dia 6: Trilha Base das Torres (8–10h) – saída cedo, retorno à tarde;
  • Dia 7: Lago Grey + navegação até a geleira (passeio de barco incluído);
  • Dia 8: Vale do Silêncio + Mirador Britânico – uma das vistas mais espetaculares de todas.

Dicas essenciais:

  • Reserve tudo com antecedência (entradas, hospedagem, transporte dentro do parque);
  • Leve dinheiro em espécie (muitos lugares não aceitam cartão);
  • Use calçado de trekking de qualidade e meias impermeáveis;
  • Respeite as regras do parque – é um santuário ecológico.

Se não se sentir confortável para fazer trekking pesado, saiba que há passeios de dia inteiro saindo de Puerto Natales, com van e guia, que levam até os mirantes principais. A experiência será mais limitada, mas ainda assim mágica.


Dia 9: Retorno a Puerto Natales – descanso e reflexão

Dia 9_ Retorno a Puerto Natales – descanso e reflexão

Depois de dias intensos de caminhada e vento patagônico, o nono dia é perfeito para descansar, recuperar as energias e refletir. Passeie pelo centro de Puerto Natales, visite o Museo Histórico, tome um café com vista para o canal ou simplesmente relaxe no seu hostel.

Se sobrar energia, faça um passeio de caiaque ou explore os arredores da cidade — há trilhas leves e mirantes próximos que valem a pena. Este dia também serve para organizar as malas, revisar as fotos e até escrever um pouco no seu diário de viagem.

A Patagônia tem esse dom: nos faz parar, respirar e reconectar com o que realmente importa.


Dia 10: Partida – com o coração cheio e a câmera cheia de memórias

Seu último dia pode ser usado para um voo de retorno (Puerto Natales tem aeroporto em Punta Arenas, a 3h de ônibus) ou para prolongar a viagem, se for o caso. Mas mesmo que seja a despedida, lembre-se: a Patagônia não se esquece.

As imagens do Perito Moreno quebrando gelo, o amanhecer rosado no Fitz Roy, o vento cortante em Torres del Paine — tudo isso fica gravado na alma. E é por isso que tantos viajantes voltam.


Conclusão

Viajar pela Patagônia em 10 dias entre El Calafate e Torres del Paine é mais do que um roteiro turístico: é uma imersão em paisagens que desafiam a imaginação e em experiências que transformam a forma como enxergamos o mundo. Este artigo buscou equilibrar praticidade e inspiração, oferecendo um plano realista que respeita o tempo, o orçamento e o desejo de profundidade.

Você viu que não é preciso ser um aventureiro extremo para aproveitar a região — há opções para todos os perfis, desde quem prefere observar a natureza de um deck aquecido até quem quer dormir sob as estrelas com a mochila nas costas.

Se este roteiro despertou sua curiosidade, não deixe para depois. A Patagônia é um lembrete de que o planeta ainda guarda lugares intocados, poderosos e cheios de graça. E, mais do que isso, é um convite: para caminhar, sentir, admirar — e voltar diferente.

E aí, qual parte do roteiro te chamou mais atenção? Deixe nos comentários o que você mais gostaria de ver ou viver nessa viagem — ou compartilhe com alguém que sonha em explorar o fim do mundo!

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